PRECONCEITO, INVEJA, DESCONFIANÇA E DESCRENÇA – MEDIUNIDADE

Capítulo I – Preconceito, Inveja, Desconfiança e De

            Numa colônia espiritual situada sobre a área geográfica de uma capital brasileira desenvolviam-se tarefas múltiplas de socorro, estudo e esclarecimento. Epaminondas atuava na área do estudo mediúnico, junto com Isadora, e costumavam fazer visitas à crosta com estudantes matriculados na referida colônia.

            Para esta condição, os que excursionavam sob a supervisão de Epaminondas e Isadora já deviam possuíam uma formação teórica compatível com o assunto, por meio de cursos e leituras, mas a possibilidade de vivenciar casos reais era o que mais atraía a todos os que se candidatavam.

            Epaminondas e Isadora orientavam o grupo formado por  Rubens, Anselmo e Jônatas, cujos objetivos visavam  a estudos e observações mais de perto de um grupo de Estudo e Educação da Mediunidade duma instituição espírita, situada numa capital brasileira.

            O papel do grupo era de observar e tirar conclusões, prestando alguma ajuda quando solicitada, seja pela equipe da Casa Espírita, ou algum Espírito amigo nos ambientes outros que visitariam, além da instituição espírita alvo de análises, ou quando Epaminondas e Isadora julgassem que deveria haver alguma intervenção.

            Ao aproximarem-se da Casa Espírita, já à entrada e nos espaços posteriores a ela, não obstante ainda não haverem dado início às atividades propriamente ditas, espantava o barulho que os encarnados faziam e que pareciam não se controlarem, não procurando manter um ambiente de silêncio e recolhimento íntimo, pois tratava-se duma reunião diversa das atividades dirigidas ao público em geral, muitos dos quais por vezes são só visitantes, simpatizantes, não possuindo laços de crença com o Espiritismo.

            Ao olhar espantado dos três estudantes, Epaminondas aduziu:

            – É um grupo de espíritas bem intencionados, mas que ainda não superaram alguns entraves do cotidiano. Participam, já de há algum tempo, dos estudos e das atividades outras que a instituição desenvolve, porém ainda guardam os condicionamentos da vida comum e esquecem-se de adentrar à atividade com uma maior dose de veneração pelos instantes que serão vivenciados, buscando um maior estado de recolhimento íntimo, pois nos instantes que antecedem à reunião de estudo mediúnico, seria de bom alvitre uma leitura edificante, uma reflexão equilibrada sobre si, a vida, sobre a condição humana, e mais importante seria que adentrassem ao ambiente de maneira silenciosa, sem demorarem-se no vozerio que costuma estabelecer nos umbrais da instituição.

            Rubens indagou:

            – Mas eles já sabem? Então como compreender tais atitudes?

            – Sim, Rubens, saber, eles sabem, mas não conhecem, uma vez que as informações até hoje recolhidas e repetidas às expensas não conseguiram reforçar neles o espírito de vigilância por inteiro, nem mesmo hoje quando se solicita o máximo possível de recolhimento íntimo, para que abram as janelas da mente em ordem e calma para o mundo espiritual possa debruçar-se sobre ela. Não basta que o Espírito retenha informações de cunho elevado, para todos nós vige a necessidade de reflexão reiteradas vezes em torno de nós mesmos e do mundo quanto a como nos situamos diante das verdades que absorvemos nessas informações e dos motivos que carregamos em nosso íntimo e que têm nos retido mais à retaguarda na evolução moral, não obstante a nossa boa vontade e os sonhos de crescimento que costumamos acalentar em nosso íntimo.

            Anselmo indagou:

            – Mas, Epaminondas, se alguém lhes solicitasse o silêncio, partindo de um encarnado igual a eles, não poderiam questionar, alegando que de nada adianta a postura com uma mente conturbada?

            – Sim, poderiam, mas consideramos que o silêncio interior, ainda mesmo quando não logrado de todo, é precedido pelo silêncio exterior, porque a mente ocupada com o falatório, muitas vezes até mesmo descontextualizado dos objetivos da reunião, dispersa-se, encontra maiores dificuldades em concentrar-se, em manter um foco único, além do fato de que conversas banais, triviais, mesmo sem nenhum tom menos feliz, não interessam aos objetivos buscados da atividade, além de representarem tentação aos encarnados a enveredarem por outros assuntos, muitas vezes menos dignos, onde até mesmo a fofoca e a intriga comparecem prestamente, quando não abordagens que consideraríamos mais graves e não condizentes com o móvel das ações de estudo mediúnico.

            Continuou Epaminondas:

            – Justo o júbilo, a alegria do reencontro, e nenhum de nós que não preze os sentimentos de alegria, de fraternidade e satisfação que alguns sentem no encontro das almas que se ligam pelos laços de fé, de amizade e de ação comum, mas é preciso ponderar que as manifestações desses sentimentos podem ocorrer num aperto de mão, num abraço sincero, num olhar carregado de afeto, dispensando-se a bulha própria das crianças de primeira infância.

            À medida que o grupo adentrou à instituição espírita, mesmo havendo um outro barulho, era menor do que era registrado à porta, havendo mesmo algum silêncio que tendia a predominar, findando por consolidar-se, permanecendo, contudo, à entrada próxima da rua, conversas em tom de voz elevado, quando não risos meios estrondosos, considerado o ambiente em que estavam presentes os encarnados e desencarnados.

            Atingido o horário previsto, a entrada foi fechada e deu-se início às atividades, com leitura, prece e um comentário doutrinário.

            Epaminondas e seu grupo a tudo observavam atentos, o que se passava no plano espiritual e com os encarnados que participavam da reunião de estudo.

            Entidades amigas, dirigentes das tarefas, estavam a postos, nas mais variadas atividades, desde a proteção do recinto, aplicação de passes, quem iria transmitir alguma orientação por via psicofônica e psicográfica, tudo numa organização impecável, assim como as demais entidades sofredoras, algumas outras menos felizes, que seriam atendidas para treinamento dos estudantes da mediunidade.

            Era feita uma triagem dos menos equilibrados que poderiam adentrar ao recinto para o atendimento, desde sofredores desorientados, até mesmo os assim comumente chamados obsessores. Todos seriam convidados à psicofonia orientadora pelo diálogo com o encarnado encarregado da atividade, mesmo que não tivessem disso consciência ou até mesmo se julgassem fortes a ponto de penetrar no recinto à revelia dos dirigentes espirituais e sua equipe.

            De maneira geral, à medida que o grupo avançava nos estudos teórico e prático, os que não demonstrassem alguma faculdade ostensiva da psicografia ou psicofonia, eram convidados a envolverem-se noutras práticas dentro da reunião, depois de algum tempo observado pelos responsáveis pela condução do estudo, a exercitarem o diálogo com Espíritos sofredores e obsessores que se manifestavam. Tudo sob a supervisão dos que se encarregavam de dirigir os estudos. Os convidados gozavam da liberdade de rejeitarem o convite, não se obrigando ninguém a alguma atividade, pois que poderiam permanecer noutras ações, como a sustentação pela doação fluídica ou aplicação de passes nos encarnados em transe ou não.

            Epaminondas já era conhecido do grupo, dispensando-se as apresentações iniciais costumeiras nesses casos, ele apenas se limitou a indicar os três novos estudantes ao dirigente da atividade como um todo, uma entidade nobre e evoluída, mas simples e natural, que dispensava tratamento e atenção diferenciados, portando-se com dignidade, mas sem ostentação, cujo nome era Jerônimo, assessorado por toda a equipe que cuidava de tudo, acrescentando-se a ela os amigos e mentores dos encarnados que vinham ao estudo mediúnico.

            Percebia-se no grupo de encarnados, entre os que coordenavam as atividades e os que participavam na condição de aspirantes a participantes de reuniões mediúnicas, oscilações nas mentes, abrindo-se umas mais que outras às percepções do mundo espiritual, bem como estando algumas totalmente fechadas para a captação, não obstante possuírem faculdades mediúnicas ostensivas.

            Como não centralizava em si todas as atividades, Epaminondas permitiu que Isadora trouxesse alguma explicação sobre o fato, que despertava olhares curiosos dos três estudantes desencarnados.

            Ela comentou:

            – o Espírito, quando encarnado na Terra e em condições medianas evolutivas, em relação ao planeta, encontra grandes dificuldades íntimas em sair da atmosfera em que a matéria envolve-o.  Considerando-se a vida material em si, com as suas necessidades imediatas e os demais aspectos ligados ao assunto nos relacionamentos entre eles. De maneira geral, tende-se a viver como um ser biológico aguardando para um dia a experiência espiritual, quando na verdade ele é um ser espiritual mergulhado na experiência biológica, temporariamente.

            Desta vez, Jônatas atalhou:

            – E como então sair deste cipoal que envolve o encarnado, logrando alguma liberdade  do envolvimento da vida material que parece sufocar no encarnado qualquer aspiração para além do véu ilusório da vida física?

            – Mesmo quando se esforça nesse desiderato, a criatura encarnada na Terra, ainda oscila entre o que sonha ser e o que tem acostumado a estar, ou seja, conquanto aspire a uma realidade mais evoluída, mais equilibrada e concorde com as Leis Divinas, há todo um passado de repetidas atitudes menos equilibradas, que reclama mudança lenta e passageira, que pode iniciar-se no plano dos encarnados, no que tange à tomada de consciência, quando não a traz consigo do mundo dos Espíritos, e que continua do lado de cá da matéria para prosseguir no mergulho seguinte no escafandro de carne.  

            Continuou ela:

            – É um processo lento e gradual, pois não nos transforaremos num átimo e a informação, conquanto útil, muito útil, é um passo inicial, porque não nos basta saber para que a informação transforme-se em atitude concreta plena diante da vida e dos que nos rodeiam nos dois polos, são necessárias reflexões em cima de reflexões acerca das informações absorvidas, acerca de nós mesmos, como estamos diante dessas informações, quais são as tendências menos equilibradas que carregamos conosco, as crônicas e as agudas, mesmo que imperceptíveis aos olhos encarnados que nos acompanham, lembrando que o progresso moral segue o intelectual, ou seja, o absorver informação, mas aquele não é imediato a esse, portanto, não nos basta apenas saber.

            Continuou, ainda:

            – nossa acanhada evolução, quando reencarnamos propicia-nos visão enganosa da vida material em todos os seus aspectos, pois que passamos a ter nela um objetivo e não um meio de chegar a outro patamar, inclusive o espiritual, com algum aprimoramento moral, mínimo que seja.

            Observando o grupo de encarnados, os desencarnados conduzidos por Epaminondas e Isadora olhavam com atenção como suas mentes comportavam-se durante o estudo, tanto teórico quanto prático.

            Por vezes, um ou outro destoava do conjunto de intenções buscadas, tentando fazer prevalecer, de maneira sutil, suas impressões, seus pontos de vista, numa atitude personalista, em que as melhores conclusões fossem consideradas as suas e no aspecto prático, quando alguns dos participantes relatavam as suas percepções, findos os exercícios, havia dúvida por parte de alguns quanto à veracidade do que foi relatado, enquanto alguns outros ressentiam-se da sua falta de faculdades ostensiva. Todos esses estados íntimos eram guardados no silêncio do pensamento dos presentes. Por fora, eram só risos e simpatias, mas havia ressentimentos íntimos.

            Uma das participantes, Isaura, não acreditava nos relatos dos colegas no que tange às percepções que os outros participantes do estudo narravam, em especial às visões que aconteciam durante o transe mediúnico, achava tudo exagero de imaginação das mentes encarnadas, uma verdadeira viagem.

            Tadeu, um outro participante, trazia consigo a indagação de porque não tinha nenhuma faculdade ostensiva até então patenteada, pois, no seu entendimento, pela folha de serviços das atividades que desempenhava na instituição merecia ser agraciado com algum dom mediúnico, esquecido de que havia sempre outras ações que também poderiam ser exercidas sem o transe mediúnico no âmbito de uma reunião mediúnica de assistência espiritual (desobsessão), tais como direção dos trabalhos, sustentação, aplicação de passes nos encarnados dentro e fora do transe mediúnico, diálogo com os Espíritos comunicantes, mas tudo viria no tempo, com um maior caminhar para frente e um pouco mais de amadurecimento.

            Ruth, uma das responsáveis pelos estudos mediúnicos, conquanto à frente das atividade, por vezes, sentia-se como quem não recebesse alguma atenção dos amigos espirituais condutores das atividades.

            Esforçava-se sempre por estar presente, manter-se atualizada nas leituras dos assuntos estudados, dar o melhor de si, mas sentia-se, nalguns momentos, como quem cumpre ações de maneira burocrática, protocolar, achando mesmo que o plano espiritual não a acompanhava de perto, não a sustentava. Era portadora de alguma faculdade mediúnica, que não incluía vidência ou audiência, predominando a intuição, a capacidade de captar os sentimentos e pensamentos de desencarnados, neste último caso sem identificar a fonte, mas ainda assim costumava-se a entregar a esses pensamentos de distância do mundo espiritual.

            Epaminondas, tomando da palavra, narrou para o grupo, suas explicações:

            – A descrença, o personalismo, a inveja e tantos outros males que rondam a mente humana do Espírito estagiário da Terceira Ordem, encarnado e desencarnado, costumam minar, ainda que por breve tempo ou mesmo alongar-se, as belas florações que nos convidam a confiar e atuar de maneira positiva diante da vida. Esses problemas e tantos outros acompanham-nos enquanto encarnados e mesmo após o decesso tumular, porque tendemos a continuar no roteiro de sempre, em especial se nada fizermos por conscientizar-nos e desfazer, gradativamente, os grilhões que nos atam à inferioridade evolutiva.

            Continuou:

            – A par desses mais variados estados íntimos menos equilibrados, existe a ação menos equilibrada dos nossos amigos menos felizes que atuam de maneira deliberada contra os encarnados, explorando-os em suas deficiências, seja por pertencerem esses desencarnados a grupos criminosos no mundo espiritual, ou isoladamente por inveja ao perceberem que outros esforçam-se por superar entraves íntimos. Todo este quadro de realidade espiritual é uma reprodução do que ocorre no mundo dos encarnados, os que se ligavam a ações menos felizes continuam alguns da mesma forma, acumpliciados em grupos, e os invejosos de antes também permanecem alguns invejando gratuitamente qualquer outra criatura que procura estar bem, mesmo sem vínculo algum com ele. Toda esta realidade tende a potencializar o que os encarnados já trazem consigo em germe, ao mesmo tempo que sinaliza para eles as próprias deficiências evolutivas no campo moral, quando conseguem assim perceber.

            Nos quadros que examinamos dos participantes do estudo mediúnico, seja como educandos que estarão em breve nas lides das reuniões mediúnicas e quem coordena essa formação, a melhor maneira de desperta-los é conscientizando-os de alguma maneira quanto a essas questões e, dependendo da história particular de cada quadro, podemos atuar nessa busca. Como a reunião já está terminando, na próxima semana podemos dar ensejo a esses nossos misteres.

            Encerradas as atividades, os encarnados deixaram a instituição espírita, Epaminondas e seu grupo despediu do grupo de trabalhadores desencarnados encarregados da condução das atividades, comprometendo-se a voltar na semana seguinte, informando que poderiam, a depender da situação, realizar uma ou outra visita aos que participavam do estudo como um todo, na condição de responsáveis pela realização das tarefas e na posição de quem busca esclarecimento teórico e prática no campo mediúnico, recebendo como resposta que a presença de todos seria sempre bem vinda.

            Na reunião seguinte, o grupo de Epaminondas compareceu ao grupo espírita, entabulando conversações com a equipe dirigente das atividades, na programação que seria levada a efeito.

            Isadora e Epaminondas conversavam mais de perto com a equipe, enquanto os outros três estudantes espirituais conheciam as dependências do centro espírita e seus trabalhadores.

            A ação de Isadora e Epaminondas aconteceria em conjunto com o grupo espiritual que coordenava as atividades de estudo mediúnico.

            Quanto ao comportamento bulhento antes notado, pouco havia mudado, tendendo a manter-se o mesmo, ainda que em maior ou menor quantidade de decibéis.

            No momento da prece coletiva, Rubens, Anselmo e Jônatas, observaram que próximo à Ruth aproximou-se um dos Espíritos da equipe trabalhadora, aplicando-lhe passes longitudinais.

            Epaminondas explicou:

            – Eles estão aprofundando, um pouco mais, o transe de nossa irmã Ruth, que já acontece no momento da prece. Irão propiciar a ela que veja e escute o mundo espiritual ao seu redor, uma pequeníssima fração dele, a fim de fortalecer a sua fé na ajuda que sempre lhe é prestada em cada atividade que realiza, pois que sempre logra sair dela sempre melhor em relação ao estado com que adentrou ao centro espírita, mesmo quando se encontra perfeitamente bem.

            Percebia-se que, após os passes longitudinais, duas trabalhadoras espirituais aproximaram-se de Ruth com carinho e grande afeição, aplicando-lhe passes revigorantes.

            – Nossa irmã, mesmo não sendo médium vidente e audiente, verá a aproximação das duas irmãs que lhe aplicam os passes, bem como ouvirá parte dos comentários que elas fazem, esclarecendo que, por estar num estado de transe um pouco mais aprofundado, permite-se ver e ouvir, parcialmente, o que se passa com ela, num muito pequeno espectro do fenômeno, e tudo isto durante o intervalo de uma prece que está sendo realizada.

            Percebia-se, nitidamente, a mudança em Ruth, ela exalava mais confiança, mais certeza e quem pudesse olhar nos seus olhos com mais atenção, notaria um brilho especial.

            – Nossa irmã, não obstante a bagagem de informações que carrega e as atividades que desempenha, precisava de um momento como este, porque tendemos a ter em nós o espírito de Tomé, ou seja, às vezes, mesmo que saibamos, necessitamos ver para crer, esquecendo-nos da assertiva quanto à felicidade dos que não viram e creram.

            Iniciadas as primeiras atividades e depois iniciado o estudo teórico e prático da mediunidade, desta vez, Isadora foi quem veio esclarecer os três estudantes.

            – O mesmo princípio usado com Ruth será usado na sala de estudo, durante a parte prática, será aplicado em Isaura que, assim como Ruth, não possui a faculdade mediúnica de vidência e que será levada, durante o transe, a um estado um pouco mais aprofundado, conseguindo enxergar uma diminuta parte do mundo espiritual presente, de maneira a não mais duvidar dos relatos de seus colegas de estudo, ou seja, ela também “viajará”.

            E assim era percebido, desencarnado integrante do grupo de trabalhadores das atividades mediúnicas da instituição aproximou-se de Isaura e iniciou por aplicar a ela passes longitudinais que aprofundariam um pouco mais o transe, permitindo a visão de uma estreita parcela do mundo espiritual que a cercava.

            Continuou Isadora:

            – o encarnado, na situação em que se avizinha de Isaura está próximo da mesma condição de desencarnado, podendo vislumbrar pela audiência e a vidência alguns desencarnados ao seu redor de modo mais ou menos preciso, mesmo que não seja portador dessas faculdades mediúnicas, em razão de no estado normal desperto não possuir tais percepções, o que caracteriza o médium vidente e audiente, a presença das faculdades em estado de vigília, não necessitando de mergulharem em um transe mais ou menos profundo.

Acrescentou ainda:

– acontece, nalguns casos, que o encarnado só chega a perceber os contornos de um corpo humano, sem perceber maiores detalhes, guardando a impressão de um vulto, e pode  mesmo  toca-lo e abraça-lo, mas sem guardar detalhes da expressão fisionômica.

Isaura estava expandindo as suas percepções e começou observar alguns Espíritos que se movimentavam na sala, entre a equipe de trabalhadores e outras entidades aguardando o momento azado para os seus atendimentos.

Percebia-se, pelo seu pensamento, o espanto com que captava as visões que tinha, estava surpresa, pois que era ela quem agora estava enxergando o que costumava ouvir dos relatos dos companheiros de estudo na sala, aprendizes como ela, que se preparavam para as lides das reuniões mediúnicas.

O impacto das informações por ela captada foi de grande repercussão, pois que, nos mesmos instantes em que vivenciava a experiência pessoal, concluía, por si só, não deveria mais duvidar dos relatos e das possibilidades mediúnicas dos demais, uma vez plausíveis e coerentes.

Epaminondas comentou:

– Isaura, pelas suas leituras e participações em estudos, não só o mediúnico, bem como em atividades outras da casa que nos acolhe para os nossos estudos, chegou sozinha a conclusão que precisava, sem a necessidade de um recado explícito por via direta ou indireta a ela, que lhe conclamasse a chegar ao roteiro em que aportou, o da compreensão.

– Ela poderia recalcitrar? Indagou Anselmo.

– Sem sombra de dúvida, pois que todos temos como sempre tivemos a opção de escolher os rumos para os nossos passos, abrir-se ao conhecimento ou permanecer no estado de ignorância, pelos mais variados motivos, ceticismo, preguiça, indiferença, orgulho, vaidade, inveja entre outros tantos, mas felizmente Ruth chegou ao destino desejado, esclarecendo-se por ela mesma.

– E quanto ao Tadeu e as suas reclamações mentais por não ter alguma faculdade mediúnica ostensiva?

Desta vez, quem elucidou foi Isadora:

– Tadeu é trabalhador assíduo e que desempenha algumas atividades com afinco, no entanto, pela sua ingenuidade, apesar dos estudos de que participa, acha que as tarefas que desempenha deviam franquear a ele acesso aos dons mediúnicos ostensivo e, pelo fato de entristecer-se com a ausência dessas manifestações, em razão de outros possuírem-nas, não observa que o estado de tristeza, mesmo branda, em que mergulha, traduz-se por inveja, uma vez que, percebendo no outro o que não vê em si, a tristeza visita o seu mundo emotivo.

– Quer dizer, então, que o ele sente é inveja? Indagou Jônatas.

– Sim, sem sombra de dúvida, e ele deve ter cuidado quanto a essas posturas, pois de leve e branda, mesmo que seja, o estado pode agudizar-se, transformando-se numa obsessão que começa sutil, mas arrasta a vítima eleita pelos nossos irmãos menos felizes, escolha esta feita a partir do que cada um de nós já trazemos conosco e muito bem explorado por esses companheiros desencarnados.

– Quer dizer, então, que ele corre perigo? Perguntou Rubens.

– Sim, como todo e qualquer encarnado na Terra está sob esta possibilidade de uma ação obsessiva de um desencarnado, mesmo sem ser médium ostensivo, conquanto os médiuns estejam mais abertos a essas influenciações, ao mesmo tempo que as podem perceber com maior ou menor nitidez, a depender de cada um, pela seu senso de vigilância, o autoconhecimento em que se exercita, com a consequência autocrítica, por todos os esforços que empreende por melhorar-se, salientando-se, porém, que ainda um tanto mais distantes das possibilidade de verem a braços com o problema obsessivo, não estão imunes às influências menos felizes e nem de serem enganados pelas mentes desencarnadas voltadas à ação prejudicial aos encarnados e desencarnados.

Isadora, acrescentou, ainda.

– o fato da pessoa encarnada possuir faculdade mediúnica, ou mesmo a ter de uma forma muito ostensiva e com diversas variantes, tanto quanto vir a receber belas mensagens por via psicofônica ou psicográfica ou de entidades que se identificam com nomes respeitáveis no campo da evolução moral, não a torna diferenciada ou superior a quem não tem faculdade mediúnica ou possui-as em número reduzido e até mesmo um tanto quanto mais insipiente, não nos cabendo dar a um grande valor, no sentido de querer diferencia-las dos demais obreiros da mediunidade ou das demais tarefas das instituições espíritas, assim como  tratar, mesmo que pelo pensamento, com a desvalia quem não atrai tanto a atenção sobre si. Não nos cabe confundir os comportamentos da vida ordinária com as realidades da atividade mediúnica, enquanto o poder temporal pode transferir-se em maior ou menor parcela nos jogos de interesse e de tráfico de influência, o mesmo não se dá com os tesouros intelectuais e espirituais de cada Espírito, que constituem conquistas pessoais suas, não se transferindo, de maneira alguma, a outras mãos.

Do livro: Mediunidade

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AUTOCONHECIMENTO E INFLUÊNCIA ESPIRITUAL

                        O autoconhecimento, comumente entendido como a identificação de nossas deficiências evolutivas no campo moral, demanda outros aspectos que se desdobram em relação ao tema.

                        Com efeito, apenas constatar algumas deficiências que todos nós, Espíritos estagiários na Terceira Ordem da Escala Espírita temos, deficiências essas nas mais variadas categorias e intensidades, por si só, não é a resolução do problema e, muitas vezes, nem o início do trabalho na direção de começar a resolver essas questões, a depender da maneira como encaramos essa realidade em nós.

                        Com efeito, constatada algumas deficiências, que também podem manifestar-se  como problemas de ordem psicológica, podemos tender a negar que estejamos num ou noutro quadro, empreendendo uma fuga impossível de nós mesmos, buscando reprimir essa constatação, como também podemos vir a, por outro lado, macerar-nos a nós mesmos, com adjetivos e epítetos em que nos depreciamos com pensamentos pejorativos dirigidos a nós mesmos, procurando diminuir-nos, maltratarmo-nos, em lugar de, constatando essas questões, empreender o inventário delas e observar-lhes como estão em nosso acervo íntimo e como se manifestam em nosso dia a dia em todos os ambientes por onde trafegamos.

                        O trabalho do autoconhecimento requer de nós a autoaceitação, o autoperdão, a autocompreensão e mais outros ângulos do assunto, como também considerar o fator reencarnatório, ou a  reencarnação, pois trazemos essas questões que nos colocam em confronto conosco mesmos, em relação ao que temos sido e ao que pretendemos ser, entre o que está colocado por nós em nós e que queremos mudar em nós para melhor, e são quadros que temos alimentado ao longo das diversas experiências reencarnatórias que temos vivenciado e que se somam à atual.

                        Todo esse movimento de autoencontro com a autoaceitação não significa que venhamos a assumir uma posição de conivência para conosco mesmos, procurando justificar-nos e continuarmos como estamos, sem empreender algum movimento, mínimo que seja, de mudança em relação ao que foi constatado em nosso íntimo e que não está bem, pois que tal atitude seria, na verdade, uma postura de fuga do assunto, em lugar de encara-lo, analisa-lo e procurar-lhe uma solução, como também nem tampouco iremos autossatanizar-nos, com adjetivos muitos fortes e alimentarmos sentimentos de rejeição de nós para conosco, quando não outra espécie de sentimento mais forte de teor negativo.

Um outro dado que também devemos considerar é a  presença de Espíritos menos felizes ao nosso derredor em nosso dia-a-dia, alguns companheiros de erros, outros que tentam explorar os encarnados em seus desacertos, uma vez que tendências e gostos geram companhias espirituais próximas a nós, de qualquer natureza que sejam essas tendências e esses gostos.

Esses irmãos menos felizes influenciam a nós encarnados para uma direção menos equilibrada, por diversos motivos, e entre eles podemos citar a inveja, a vingança ou por pertencerem à cooperativas criminosas do mundo espiritual, esta última possibilidade podendo ser de modo concomitante às duas primeiras hipóteses aventadas, posto que os desencarnados voltados para a ação prejudicial consorciam-se no crime, à semelhança do que ocorre no nosso mundo dos encarnados, apenas guardando uma outra maneira de agir e o móvel no crime manifestado duma outra forma.

E esta situação ocorre a partir da exploração do que trazemos em nós, em termos de deficiências evolutivas morais, pois a partir delas é que podemos ser explorados, atingidos pela ação menos feliz, tanto de desencarnados quanto de encarnados.

                        Um outro aspecto que envolve o problema é de natureza psicológica e que se mistura aos demais, aos fatores reencarnatório e à influência espiritual, com o  ego e suas manifestações, a partir do egoísmo em si, a maior dificuldade que trazemos em nós e geradora de outras dificuldades, pois algumas das suas manifestações, do ego, trazem o cunho de desarmonia e são como empeços à evolução moral nossa, não obstante ele cumprir outros papéis úteis e importantes na nossa estrutura psicológica, além das máscaras que assume.

                        Isto porque, uma vez que constatemos em nós alguns aspectos menos agradáveis que todos os temos, podemos assumir uma postura reativa ou passiva, nesta última tenderemos à vitimização, à autopiedade muito grande, à culpa, à frustração, ao pessimismo; enquanto que na postura reativa tendemos a reagir com revolta, autopunição, crueldade, raiva e outros sentimentos menos equilibrados.

                        Essas reações tanto podem dar-se quando de experiências que vivenciamos na existência, quanto ao constatarmos que trazemos algumas deficiências, em lugar de assumirmos uma postura proativa, no sentido de reconhecermos como estamos, sem fugas ou outros mecanismos usados pelo ego, nas suas diversas máscaras, e procurarmos meios, caminhos para ir trabalhando a solução desses desafios, que nós mesmos temos gerado para nós.

                        E nessas manifestações de comportamentos também comparecem os desencarnados, sejam os que querem ajudar-nos, emular-nos ao avanço, ajudar a nossa evolução que se manifesta na autossuperação nossa, quanto os menos felizes que se comprazem em prejudicar e infelicitar, uma vez que eles mesmos infelicitados encontram-se e sentem-se, e estes últimos vão estimular-nos na postura passiva ou reativa, de maneira a que nos mantenhamos em desequilíbrio, sem alguma lucidez, constituindo-se em mais um fator de dificuldade, pois que tenderão a potencializar em nós esses estados que já trazemos em nós.

                        Daí porque compreendemos que o autoconhecimento depara-se com mais esta realidade, porque a partir de nós e para onde queremos dirigir-nos teremos companhias que buscarão ajudar-nos ou companhias que prezarão por manter-nos estacionados, quando não buscarão complicar-nos mais ainda o nosso dia a dia.

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AS FACILIDADES

10 – AS FACILIDADES

… o cristão que aspira a

movimentar-se entre facilidades

terrestres, certamente ainda

não acordou para a verdade

EMMANUEL – PÃO NOSSO

Instalados no corpo de carne, tendemos ao sonho duma felicidade rósea, na qual o carro da vida siga seu percurso sem nenhum contratempo, nenhuma forma qualquer de desassossego.

Idealizamos uma vida distante da nossa realidade evolutiva, em que tudo nos sorria, ocasiões e pessoas, mas eis que a vida se nos mostra diversa do ideal romântico que abrigamos de maneira ingênua em nossa mente, nos sonhos que acalentamos.

Em diversas ocasiões, a criatura vai constatando que todos pagam o preço de conviver com a alternância entre dias ensolarados e outros nublados ou mesmo de chuva, que, por vezes, pode tornar-se torrencial, e que dia e noite alternam-se no calendário de todos os seres, diariamente.

Conquanto o planeta que nos abriga ainda não seja o recanto de felicidade das almas já redimidas que ainda não somos, ele propicia momentos de bem estar amplo, inclusive íntimo, que são momentos de verdadeiro repouso depois das refregas da luta existencial que todo o ser enfrenta.

As facilidades que, ingenuamente, sonhamos para nós, num ideal de bem aventurança estando encarnado e que não faz parte da realidade do planeta que nos abriga, por ora, não existem na Terra para nenhum ser encarnado, mesmo os Espíritos missionários que, estando livre da realidade de expiações, vêm até o cenário terrestre impulsionar o progresso das sociedades, nas suas mais variadas realidades, posto que também sofrem nas suas sensibilidades com o ambiente hostil para onde se voluntariam atuar.

De outro modo, nem tampouco, mesmo que reconhecendo a realidade dum planeta de provas e expiações, local onde o mal ainda conta com maior número, devemos evitar render-nos ao pessimismo crônico, porque, ainda que a paisagem que nos rodeia e mesmo a nossa paisagem íntima ainda não seja a ideal, a sonhada, tudo o que qualquer ser sonha como felicidade perene é construção diária nos dos planos da existência no corpo e fora dele.

Do Livro – Refletindo com Emmanuel

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O BEM

9 – O BEM

O bem que praticares, em algum lugar,

é teu advogado em toda parte.

EMMANUEL – VINHA DE LUZ

As criaturas humanas, de qualquer condição moral, social ou intelectual, possuímos a capacidade de algum bem realizar.

Não é necessário que abundem os bens morais, materiais ou intelectuais para que os possamos distribuir a mancheias aos que, ocasionalmente, apresentem-se portando quadros de alguma carência, que todos podemos apresentar num dado instante da nossa existência.

Ainda quando não possuamos sobras materiais, não nos encontrando aptos a expor tesouros de intelectualidade pelo conhecimento profundo ou a palavra bem colocada, o discurso escorreito, a caridade moral é factível a qualquer criatura humana.

Mesmo portando a inibição de a alguém nos dirigirmos, o exercício de um pensamento positivo, de uma oração em silêncio são bens ocultos que se realizam, sem que a sociedade humana perceba a ação benéfica e silenciosa, ao mesmo tempo que o realizador da ação exercita a humildade da realização positiva sem buscar reconhecimento ou louvor.

Todos carecemos de algum bem realizar nalgum instante, a fim de romper, paulatinamente, as algemas do egoísmo a que nos temos atado até os dias que correm e alguns que ainda virão no calendário de nossas vidas, como também, nalguns momentos podemos necessitar de algum bem praticado de alguém para conosco.

Para nós, hoje, apresenta-se como uma necessidade de esforço constante neste exercício, até que se constitua, um dia, em ato natural e espontâneo, substituindo o nosso acervo de pensamentos e atitudes menos felizes, que se originam no egoísmo e nos filhos da mesma rama, vaidade, presunção, orgulho, inveja, ciúme e tantos outros quadros de sentimentos menos felizes que ainda carregamos em nosso imo, e com quem temos convivido larga faixa de tempo.

Ainda que, uma vez realizado, possa vir a constituir-se em defensor nosso nos tribunais dos acusadores gratuitos e ociosos, ele, o bem que realizarmos, é pequeno exercício de realizações maiores que virão com o tempo e o consequente amadurecimento moral nosso.

Do Livro – Refletindo com Emmanuel

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VERDADEIRA UNIÃO

8 – VERDADEIRA UNIÃO

Se te sentes unido ao Cristo,

lembra-te de que o Senhor

a ninguém abandona, nem mesmo

os seres aparentemente venenosos do chão.

EMMANUEL – VINHA DE LUZ

Já diziam os antigos que “o homem é a medida de todas as coisas”.

Tendemos a categorizar as realidades de que vamos tomando conhecimento, a partir de nossa própria realidade que nos rodeia e que carregamos em nosso mundo íntimo, em todos os departamentos da existência, e a relação entre a criatura e o Criador, nem mesmo ela, por vezes, escapa a esta perspectiva.

Transportamos, desta forma, à visão de caráter religioso, as mesmas concepções de que nos valemos em sociedade, muitas das quais calcadas em convenções sociais humanas, portanto passageiras, mutáveis.

E passamos a imaginar a figura de Deus com comportamentos e valores semelhantes ao homem terreno, ainda imperfeito e limitado, nem sequer cristianizado ainda.

Passamos a conferir ao Criador característicos humanos, com sentimentos e reações próprias de nós, criaturas comuns, que ainda nos alternamos em nossos sentimentos, ações e reações diante da vida e de nossos semelhantes.

E assim, na nossa imaginação, criamos para nós um Deus semelhante a nós, invertendo a realidade de a criatura ter sido criada à imagem e semelhança do Criador, e não o contrário, e criamos Deus à nossa imagem e semelhança.

Nós temos esta capacidade de querer inverter a ordem da Criação.

Quando se trata, por vezes, de considerar a criatura humana em erro, seja a nós mesmos ou ao semelhante, podemos tender, nalgumas vezes, a lançar sentenças, quando não verbais, ou pelo menos mentais, de penas duras e irrevogáveis, em que, aquele errou, sejamos nós ou o semelhante, esteja num sofrimento e abandono intensos e impossíveis de serem remediados, findos nalgum instante.

Neste quadro mental que criamos para nós ou para os outros, o Criador teria abandonado a Sua criatura, dando-lhe as costas, esquecendo-a, o que ainda acontece entre nós humanos habitantes deste planeta de expiações e provas, Espíritos estagiários da Terceira Ordem da Escala Espírita.

É, ainda, uma tendência bem nossa, a de transformar Deus na criatura limitada que ainda somos, todavia o Criador do Universo não tem tais comportamentos e sentimentos, posto que Ele é, desde sempre, o que estamos agora descobrindo dos Seus atributos perfeitos e elevados ao grau infinito, e, como não abandona a nenhuma parte da Sua Criação, muito menos abandonaria ao homem, criado à Sua imagem e semelhança.

Tendemos a cogitar em nossos pensamentos e nas nossas palavras que os outros, mesmos os mais evoluídos que nós e até mesmo Criador esteja conosco, sem cogitarmos de com Eles estarmos, sendo sempre mais fácil, mas ao mesmo tempo enganoso, afirmarmos aos outros de quem supostamente estaríamos acompanhados, esquecendo de considerar se nós, em verdade, estamos acompanhando a quem dizemos acompanhar-nos.

Por vezes, preferimos a doce ilusão, iludindo-nos, em lugar da verdade que nos transforma gradativamente.

Do Livro: Refletindo com Emmanuel

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ENCONTRO DOLOROSO

7 – Encontro Doloroso

Quando estiverdes contristados,

em face de faltas que cometestes

impensadamente, é razoável sofrais

a passagem de nuvens pesadas

e negras que amontoastes sobre o coração.

EMMANUEL – VINHA DE LUZ

Nos instantes de resgate ou de rememoração dos atos impensados que todos ainda cometemos ou tenhamos cometido, o abatimento e tristeza podem surgir, por reação natural ainda presente em nós.

No entanto, cumpre examinar as questões que nos afligem a consciência sob o prisma da compreensão de nossas fragilidades morais, conquanto não devamos buscar alguma fuga do exame, tentando racionalizar a nossa conivência conosco mesmos, intentando, de um só golpe, justificar e esquecer os nossos erros, que merecem o nosso exame, a nossa análise.

Se mergulhados numa análise impiedosa conosco mesmo, tendemos a condenar-nos, em nosso mundo íntimo, a penas irremissíveis, julgando-nos, de todas as criaturas, a pior na Criação.

E transformamos as sombras da tristeza momentânea em cárcere de culpa e flagelação mental, impiedosos para conosco mesmos.

É natural o estado de tristeza consigo mesmo em toda a criatura que se descobre em falta, mesmo que passado o fato e adquirida uma percepção mais clara e profunda do dano causado que pode até mesmo não ter sido percebido até que se descubra um novo ângulo de visão do assunto em análise.

Todavia esta tristeza não deveria acompanhar-nos os passos, na forma de algemas mentais e psicológicas, atando-nos ao madeiro do automartírio mental, impondo-nos a paralisação de nossos passos na direção dos esforço das ações positivas, mesmo que direcionadas a terceiros, e não à pessoa a quem ferimos, dada a impossibilidade de alguma forma de aproximação que reconcilie o agressor e o agredido.

Passados os momentos de contrição e tristeza, que eles não nos acompanhem e que sigamos adiante, ainda que conscientes de haver causado um dano a alguém e aguardemos no tempo um possível reencontro, mas até lá, de nossa parte, liberemo-nos do peso inútil do martírio silencioso da culpa inoperante.

Do Livro: Refletindo com Emmanuel

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A FÉ

6 – A FÉ

O homem deve viver confiante,

sempre atento, todavia, em engradecer-se

na sabedoria e no amor

para a obra divina da perfeição.

EMMANUEL – VINHA DE LUZ

A fé é construção no solo do Espírito.

Sentimento e razão servem-lhe de adubo.

Enquanto o Espírito transita pelo estado de ignorância, tudo lhe parece confuso e obscuro, e os valores imperecíveis surgem-lhe às vistas como miragens distantes.

Mesmo quando tem notícia ou encontra os que caminham à sua frente na esteira da evolução intelecto-moral, imagina essas criaturas como privilegiadas da Criação, construindo a figura do Criador semelhante à do homem terreno, ainda limitado e falho nas suas concepções e atitudes, que teria preferências e, por consequência, privilegiados.

Numa clara inversão da ordem, queremos fazer Deus à nossa imagem e semelhança, em lugar de buscarmos tentar, de alguma forma, asselharmo-nos a Ele, daí as muitas confusões em que temos andado, até hoje, nesse mister.

Também, neste prisma, aparecem as contradições humanas diante da vida e da fé religiosa, perdendo-nos num labirinto entre a crença e a descrença no Criador.

Desta maneira, a criatura humana ora confia, ora não confia em Deus, abalando-se ante às situações que a incomodam, em maior ou menor intensidade.

Não se propugna aqui pela atitude de uma estátua perante a dor, pois que esta abala as fibras de qualquer criatura que sente e pensa, mesmo as que já granjearam títulos de enobrecimento moral e que caminham à nossa frente, liberadas de todo e qualquer débito com a Lei Divina.

A fé é uma construção do Espírito e, até que se torne inabalável, que não paralise as mãos e os braços humanos quando a dor lhe visitar o coração, será testada para que, passo a passo, solidifique-se no imo da criatura humana, até que o homem, ainda que abatido e sofrido, alegre ou triste, vivamos confiantes e operosos nas tarefas que a vida confiar-nos, no corpo ou fora dele.

Do Livro: Refletindo com Emmanuel

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QUEM VENCERÁ

5 – Quem Vencerá

O espírito mais ensombrado

no sepulcro do mal

e o coração mais duro são arrancados

das trevas psíquicas para a luz da vida eterna.

EMMANUEL – VINHA DE LUZ

Com muito acerto, a Doutrina Espírita propugna que o homem na Terra, antes de ser mau, o que não é em verdade, permanece, temporariamente, num estado de ignorância quanto à presença do bem e do mal, no mundo e nele.

Trazemos em nós os potenciais para o bem permanente, oriundos da própria origem Divina, no entanto, precisaremos caminhar nesta direção, num trabalho diuturno de mudança íntima pessoal, dia após dia, no corpo e fora dele.

O egoísmo que nos quer dominar é um transe da evolução, em que ainda permanecemos olhando para o mundo através da nossa ótica exclusiva e desconsideramos, por vezes, os que nos cercam, suas necessidades, problemas e demais aspectos que, tanto quanto eles, também trazemos estes aspectos em nós.

Tendemos a considerar, em regra, em primeiro lugar, em todas as circunstâncias que dizem respeito ao que nos toca e conflitamos com o próximo, conflitados que nos encontramos dentro de nós mesmos cada um de nós.

A criatura humana, neste panorama, podemos vir a agravar mais ainda as situações-desafios da evolução, adentrando em ações cada vez mais prejudiciais a nós mesmos e aos que a cercam.

Assim nasce o que convencionamos chamar de espírito do mal, o ser aparentemente dotado de poder para igualar-se ao Criador, num outro polo da realidade, contrário ao bem, mas que neste pequeno mundo que habitamos do sistema solar da Via Láctea, não passa de um ser mais equivocado quanto ao bem e ainda muito ignorante das realidades da vida, na Terra e fora dela.

Gozará ele de liberdade relativa, um certo tempo, quanto às suas ações menos felizes, mas para ele um dia também soará o término de sua atividade, cansado e entediado do mal que nunca lhe satisfez, mas que, num dado momento, cansa-se dele, pois que a sua essência é a mesma da dos seres mais puros e perfeitos.

Do Livro: Refletindo com Emmanuel

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O DEVEDOR

4 – O Devedor

Quanto maior a compreensão

de um homem, mais alto é o

débito dele para com a Humanidade…

EMMANUEL – VINHA DE LUZ

A organização das estruturas humanas, com as suas demandas, são mutáveis, como também mutável é o Espírito humano que ainda almeja galgar patamares mais elevados da evolução intelecto-moral, em especial nós que ainda permanecemos vinculados ao plano de expiações e provas, os Espíritos da Terceira Ordem da Escala Espírita, cristãos não cristianizados.

Somente o Criador guarda o atributo da imutabilidade.

O homem, na Terra, estabeleceu que, quanto maior a sua importância, maior o seu poder de mando, tanto mais lhe cercam pessoas que o sirvam com presteza, quando não lhes cobra subserviência e adoração, explorando, por vezes, nelas o temor, por via de ameaça, mesmo que silenciosa, da perda de prestígio e de posição perante o detentor temporário do poder transitório e fugaz.

Em muitas ocasiões, as situações estabelecidas  requerem que o detentor de maior responsabilidade cerque-se de auxiliares no instituto da colaboração humana, no entanto, a ilusão da subida vertiginosa, por vezes, tende a criar na criatura humana um distanciamento íntimo e que extravasa para o meio em que convive na sua realidade humana frágil e limitada, inclusive pelos fenômenos da vida orgânica, e os reveses a que todos nos sujeitamos num mundo de expiações e provas, para onde nós trazemos compromissos com a Lei Divina de resgate e reajuste perante ela.

Esta ilusão podemos, por vezes, criar para nós mesmos, em qualquer escala de importância nas estruturas humanas, além da falsa ilusão da falsa superioridade diante dos que nos partilham a jornada terrena.

Favorecido com circunstâncias que dão ascensão a essas posições transitórias criadas pelos homens, na organização da vida e das atividades da vida material, esquece-se a criatura humana de que, em verdade, longe de julgar-se credor de todas as atenções e favores dos que o cercam, como costuma ver-se na sua ótica equivocada, as ações que desenvolvem representam, perante o Criador, um débito dele para com os seus semelhantes, porque, tanto quanto maior as mais variadas responsabilidades que se lhe enfaixam nas mãos, tanto maior o dever de colaborar com o seu próximo.

E tanto maior é o seu débito com a Humanidade, em termos de compromisso que possui para com ela, devendo envidar esforços de procurar a todos servir sem deles se servir, porque para além do que imagina, como sendo fruto apenas de seu esforço pessoal a posição conquistada, nela necessita de diversos outros colaboradores, seus subordinados, bem como os mecanismos da Leis Divina permitiram-no chegar onde chegou se não usou de artifícios menos felizes para suas conquistas, o que representa um fardo mais a carregar no resgate das infringências cometidas.

Ainda não alcançamos, plenamente, a consciência destas verdades, mas mesmo que, paulatinamente, vamos tendo informações delas, na medida em que reflexionamos sobre elas, vamos mudando, aos poucos, o nosso pensar e o nosso agir.

Do livro: Refletindo com Emmanuel

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COLABORAÇÃO

3 – Colaboração

É indiscutível que Jesus pode tudo,

mas, para fazer tudo, não prescinde

da colaboração do homem

que lhe procura as determinações.

EMMANUEL – VINHA DE LUZ

As Leis Divinas estabeleceram a colaboração das criaturas nos dois planos da vida e mesmo entre eles.

O ser humano encarnado, tanto quanto o desencarnado, colaboram entre si, na busca de seus objetivos, sejam quais forem o móvel por trás deles.

À medida que evolui moralmente, que vai se assenhorando de maior consciência do mundo que o rodeia e compreende o próximo para além do prisma do egoísmo que acompanha as criaturas que estagiamos na Terceira Ordem da Escala Espírita, rompe, aos poucos as cascas egoístas, a dura penas, exercitando sentimentos nobres e elevados para com os demais, mesmo que discretamente.

As virtudes carecem de propaganda, tanto quanto de aplauso do mundo, posto que pensar e agir de outra forma é a exaltação à vaidade e ao orgulho, oriundos do egoísmo que ainda temos em nós, posto que intentaríamos o crescimento em função de que os outros nos reconheçam, acariciem os nossos egos, comportamento este ainda infantile, mesmo que tendamos para ele, não obstante a cronologia do número de anos que já tenhamos vivido.

O bem, que se origina do Criador, manifesta-se, entre as criaturas, a partir delas mesmas, entre elas.

Todo ser humano, independente de condição de qualquer espécie, material, espiritual, intelecto-moral, é capaz de algum bem realizar, que pode manifestar-se mesmo num pensamento positivo ou numa prece silenciosa dirigida ao semelhante.

Jesus, como Emissário maior de Deus perante as criaturas que habitamos o planeta Terra, não prescinde da colaboração de todos, desde os seres mais puros e elevados que privam do convívio constante com ele, até nós, que ainda titubeamos entre o bem que desejamos fazer e o mal que nos acompanha de mais perto ou mesmo ainda guardamos em nosso íntimo.

Do livro: Refletindo com Emmanuel

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