TRÊS APONTAMENTOS

São três colocações que costumamos usar no dia a dia, em especial quando estamos em alguma atividade espírita e que merecem observação: sou, não posso e tenho.
É comum, ao nos referirmos às nossas deficiências evolutivas no campo moral, afirmarmos que somos, quando, na verdade, estamos.
Estamos porque, na visão espírita reencarnacionista e, consequentemente, evolutiva, toda deficiência de evolução que envolve aspectos tantos morais quanto intelecutais nossos será, paulatinamente, superada, transformada, mudada para melhor, a partir de nossa consciência desta condição e das medidas que iremos tomando para transformar esta realidade.
Entender este aspecto de outra maneira seria admitir que existiriam seres privilegiados neste panorama, pois que há criaturas mais evoluídas que nós, nos dois aspectos da evolução, moral e intelectual, e que se encontram num estado de maior harmonia interior, que se revela nas relações exteriores com os ao seu derredor.
E se fosse possível entender a possibilidade de privilegiados na evolução, cairia por terra a ideia de uma justiça divina perfeita, e, por consequência, da perfeição do Criador.
Uma perspectiva é contrária à outra, ambas não podem conviver dentro um sistema lógico e racional de análise.
Desta maneira, tudo o que viermos a relacionar, em situações abstratas ou concretas, individuais ou coletivas, neste prisma de análise é mais acertado e lógico afirmarmos que estamos e não que somos.
Inclusive para descondicionar a nossa mente da mensagem que enviamos para nós mesmos pela repetição equivocada e que nos programa para assim pensarmos e, posteriormente, sentirmo-nos desta forma, de maneira permanente.
Cada vez que afirmamos, para nós mesmos, que somos egoístas e tantos outros aspectos que envolvem a evolução moral ainda deficitária em relação ao ideal que sonhamos hoje, alguns desses aspectos dos quais até mesmo só temos coragem de dizer a nós mesmos, condicionamo-nos a crer numa realidade passageira como sendo permanente, o que não o é, em verdade.
Portanto, mais acertado e lógico, à luz dos postulados espíritas, é sempre afirmarmos, quando nos referirmos a essas colocações que não somos, mas estamos.
Comum é também, quando analisamos possibilidades nossas, em especial as de incidência em algum erro, ou mesmo quando já o cometemos, usarmos a colocação proibitiva que não podemos ou que não podíamos ter cometido tal ou qual atitude.
Esquecemos, por um questão lógica e natural, que só realizamos algo de positivo ou não positivo, dentro de nossas possibilidades.
E deste quadro de não querer aceitar que era possível errar, deriva o sentimento de culpa inoperante, que aprisiona a criatura a um sistema de condenação de autocastigo constante a si mesma, pela repetição mental equivocada de que não podia ter cometido o ato, sem examinar a situação e a si mesma, o que leva o ser a desconsiderar a análise necessária de si, de como se encontra, de quanto quer e precisa mudar, evitando, sem perceber, caminhar um pouco mais na direção do autoconhecimento, que propicia o autocontrole de tendências menos positivas.
A culpa não operante em nada ajuda o trabalho de evolução espiritual, antes atrapalha, por direcionar a criatura a um estado de tortura mental.
Quando nos deparamos com os erros que cometemos, conhecidos ou não das demais criaturas, poderemos tender a empreender uma rejeição de nós mesmos, ou uma fuga psicológica, procurando um estado de autonegação, quando deveríamos constatar que aspectos menos felizes ainda existem dentro do nosso arcabouço interior e que eles se manifestam com maior ou menor intensidade, dado o nosso estado de espírito, como também, nalgumas situações que nos revelam alguns panoramas íntimos que podem surgir, para nós, até então inusitados, na presente reencarnação.
O olhar que precisamos cultivar em nós para conosco é o de autoaceitação, observando-nos com atenção e cuidado, em especial nos instantes em que situações surgirem a partir de nós e que possam levar-nos a conflitos íntimos, intentando mudanças discretas e gradativas dos aspectos que não nos agradam, embora ainda o tenhamos em nós.
Por diversas ocasiões, poderemos reincidir nos mesmos enganos, o que dará para nós o tom de o quanto o problema deita ainda raízes profundas em nossa personalidade, mas, gradativamente, trabalhando por melhorar estas situações íntimas, aliviaremos a pressão de nossas deficiências em nós, a partir de olhar para nós com compreensão sem conivência, mas, sobretudo, aceitando-nos como nos encontramos, em lugar de idealizarmo-nos e frustrarmo-nos numa falsa imagem de uma falsa perfeição que ainda não temos.
Outro ponto a abordar é o uso do verbo ter, quando nos autoimpomos uma perspectiva de obrigação nos mais diferentes atos que levamos a efeito em nossas vidas.
Quando afirmamos para nós mesmos que temos de fazer alguma coisa, independente do que possa vir a ser, da área em que iremos atuar, sem perceber criamos para nós uma carga e, se não realizamos o a que nos propúnhamos fazer, seja o que for, das tarefas cotidianas até planos mais complexos da nossa existência, em seguida geramos para nós um peso em nossas mentes e, daí, pode advir a sensação de culpa inoperante.
Deveríamos antes afirmar em nossas mentes, a partir das mais comezinhas ações até as que se referem a questões mais complexas de nosso mundo íntimo, que antes de ter, nós precisamos realizar ou tal ou qual ação, precisamos fazer tal o qual tarefa, precisamos ter tal ou qual atitude, em lugar de termos, que nos tem gerado, ao longo dos séculos de nossas reencarnações um ônus que até mesmo carregamos para as nossas realidades no mundo espiritual, quando nos encontramos desencarnados.
Assim baniríamos da nossa mente o sentimento de obrigação traduzida num peso, pois que, se não realizada, vem a culpa inoperante e, muitas vezes, outros tantos estados psíquicos que nada contribuem para nossa melhoria íntima e o nosso avanço na evolução, superando-nos a nós mesmos, de maneira paulatina e o máximo equilibrada possível.
Qualquer que seja a necessidade de algo realizar nos nossos dias, de encarnado ou desencarnado, refira-se a uma ação exterior ou interior, antes precisamos, do que temos de realizar. Isto nos tirará deste processo a que temos nos submetido que não é de hoje e que em nada nos ajuda a caminhar para frente, de maneira equilibrada e saudável.

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ALGUNS COMENTÁRIOS À PEC Nº 287/2016

PEC Nº 287/2016.

Algumas observações sobre a PEC 287/2016, que trata da Reforma da Previdência do Regime Geral de Previdência Social – RGPS e dos Regimes Próprios de Previdência Social RPPS.
Os comentários aqui feitos abrangerão alguns aspectos da proposta, relacionados aos RPPS.
De início, observamos o artigo 40 da Constituição Federal que trata da aposentadoria no serviço público para os servidores públicos.
Na modalidade de aposentadoria voluntária, estabelece no inciso III do artigo 40 da Constituição Federal, a aposentadoria dessa forma aos 65 anos de idade, tanto para homem quanto para mulher, 25 anos de tempo de contribuição, 10 anos de efetivo exercício no serviço público e 05 anos no cargo em que se dará a aposentadoria, valendo lembrar que os proventos serão calculados sobre a média, tendo como parâmetro o RGPS para esses proventos, não sendo inferior ao limite mínimo ou superior ao limite máximo desse Regime.
A aposentadoria compulsória passa a ter o limite de idade de 75 anos, e foi criada a aposentadoria por incapacidade permanente para o trabalho, na hipótese quando não for possível a readaptação.
Vedada a percepção de mais de uma pensão civil (por morte) deixada por cônjuge ou companheiro no âmbito do RPPS entre os vários Regimes (Federal, Estadual e Municipal), como entre estes e o RGPS.
Estará vedada também a percepção de pensão civil (por morte) e aposentadoria do RPPS (Federal, Estadual e Municipal), ou entre estes e o RGPS.
Nas hipóteses citadas nos parágrafos anteriores, há o direito de opção.
Na redação original da proposta, também estavam incluídos os casos que abrangessem o RPPS das Forças Armadas e das Forças Auxiliares (Polícia Militar e Corpo de Bombeiros), sendo essa vedação retirada por pressão de alguns Ministros do Governo Federal.
No texto do artigo 40 da Constituição Federal, a proposta mantém o direito ao Abono de Permanência para o servidor que opte por permanecer em atividade até a data em que venha completar a aposentadoria compulsória.
No artigo 2º da PEC Nº 287/2016, ficou estabelecida uma regra de transição para o seguinte quadro:
a) Servidores que tenham ingressado até a data da promulgação da Emenda e que possuam idade superior a 50 anos (homem) e 45 anos (mulher), podem aposentar-se, cumprindo, cumulativamente,
Homem – 35 anos de tempo de contribuição;
Mulher – 30 anos de tempo de contribuição;
60 anos de idade – homem;
55 anos de idade – mulher;
20 anos de efetivo exercício no serviço público, 05 anos no cargo em que se der a aposentadoria;
Adicional de 50% do tempo que, na data da promulgação da Emenda, faltar para atingir 35 anos – homem ou 30 anos – mulher.
Para os servidores que tenham ingressado no serviço público, até 16/12/1998, poderão optar pela redução da idade (60 anos – homem e 55 anos – mulher), na razão de um dia a mais de contribuição e diminuição de um dia da idade prevista anteriormente.
Os proventos para os servidores que ingressaram no serviço público até 31/12/2003 serão integrais da remuneração do cargo e com paridade ( artigo 2º, § 3, inciso I, artigo 2º, § 4º, inciso I), os que ingressaram a partir de 01/01/2004 e antes da instalação do respectivo FUNPRESP, terão os proventos calculados sobre a média das contribuições e reajustados pelos índices do RGPS (artigo 2º, § 3º, inciso II, artigo 2º, § 4º, inciso II).
A PEC Nº 287/2016 também propõe revogar o artigo 6º e 6º-A da Emenda Constitucional Nº 41/2003, que tratam, respectivamente, da aposentadoria voluntária (60 anos de idade – homem, 55 anos de idade – mulher, 20 anos de efetivo exercício no serviço público, 10 anos na carreira e 05 anos no cargo) e por invalidez, com proventos integrais e paridade para os proventos de aposentadoria e futuros proventos de pensão civil (por morte) para os servidores que tenham ingressado no serviço público até 31/12/2003.
Assegurou-se o direito à aposentadoria ao servidor público e pensão civil (por morte) aos dependentes que tenham adquirido o direito na data da legislação vigente, atendidos os seus requisitos, com cálculo dos proventos nos termos da legislação da época (artigo 5º, parágrafo único da PEC Nº 287/2016).

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CANSAÇO

Cansam-me:
A minha humanidade,
As minhas necessidades,
A minha mediocridade,
Querer viver à saciedade.
Do livro: Novos Versos

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PREOCUPAÇÕES INFERIORES

Nós, os Espíritos que transitamos dentro da realidade de expiações e provas, que ainda não atingimos a condição de cristãos cristianizados, portanto não alcançamos a cristianização plena de nós mesmos, lidamos com muitas dificuldades internas que se manifestam externamente, refletindo nas pessoas e ambientes pelos quais transitamos, a partir do teto que nos abriga, o local onde moramos, e que se comunicam aos demais locais pelos quais transitamos.
Temos os nossos interesses, os nossos objetivos e necessidades, algumas das quais ligadas a fatores externos, mas que acabam por atingir-nos em maior ou menor intensidade, por algumas deficiências de ordem evolutiva que ainda carregamos, e, no entrechoque dos relacionamentos que travamos uns com os outros, surgem, por vezes, conflitos de maior ou menor monta, situações que se nos tornam difíceis, tanto para nós como para os que se nos acercam.
Quando nos detemos a analisar os problemas que nos envolvem direta ou indiretamente, ou mesmo a pessoas que nos são estranhas, mas que nos chamam a atenção tais situações, por vezes, tendemos a análises precipitadas e julgamentos menos felizes.
Carreamos para a nossa análise o nosso horizonte intelecto-moral, bem como os nossos estados de ânimo, que muito variam em inúmeras ocasiões, e daí podem surgir análises que podem ser menos equilibradas, podendo, inclusive, incorrermos em distorções dos fatos em nossas análises, a partir até mesmo dos preconceitos que porventura ainda tenhamos em nós.
Mesmo quando nos detemos a analisar o que nos toca mais a nós mesmos, nossos problemas e dificuldades pessoais, poderemos olhar esses quadros sobre um prisma não tão equilibrado, surgindo daí, a partir dessas situações, como resultado dessas nossas análises, preocupações inferiores, mesmo na busca de uma solução aparentemente boa para nós.
Diversos quadros que envolvem o plano das expiações da maioria de nós, e mesmo de muitos Espíritos desencarnados que transitam pela mesma realidade de grau evolutivo que a nossa, nasceram a partir de situações como essas em que, buscando resolver situações que nos atingiam e, a partir de uma análise menos equilibrada, geradora de uma preocupação inferior, optamos por determinadas decisões que nos comprometeram diante da Lei Divina, traçando para nós expiações que nos buscam no tempo, para determinados ajustes e correções de nós mesmos, pelas ações que temos ou teremos de empreender.
O traço definidor e, sem dúvida, marcante para essas escolhas de atitudes é o egoísmo, ainda presente em nós, em maior ou menor grau em determinados aspectos de nossa história pessoal, nalguns ângulos da nossa vida.
Afirmamos que estamos egoístas, por não sermos, uma vez que o ser é permanente, e estar é transitório, bem como, naturalmente, compreendemos a situação dessa maneira, por não ser permanente o estado nosso de ignorância e constitui-se, em verdade, em uma situação transitória do Espírito que transita pela fase de provas e expiações, situação na qual precisa ser provado na sua evolução e necessita expiar, em relação ao seu passado próximo ou distante as faltas cometidas diante da Lei Divina.
Nas nossas preocupações inferiores, originadas a partir de como nos postamos diante do que nos atinge é que surgem os inúmeros quadros de dificuldades para nós, a partir, até mesmo, da alteração do nosso estado íntimo, gerador de sintonias mentais com os menos felizes que transitam ao nosso redor, alguns dos quais buscam infelicitar as criaturas que os cercam, porque menos felizes encontram-se.

Do livro: Novas Reflexões

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E SE NÓS?

 

 

 

Nos momentos difíceis da existência, vivenciando dores visíveis ou não aos que no cercam, partilhando ou não com eles as duras dificuldades que enfrentamos, há momentos nos quais questionamos do porquê dessas situações.

Se não somos reencarnacionistas, conformamo-nos com uma vontade Divina que sabe o que é melhor para nós e que não podemos questionar, se não possuímos nenhuma religião ou qualquer crença de natureza espiritual, imputamos às circunstâncias da vida, buscando explicações nas mais variadas ciências para podemos transitar pelo problema dificultoso.

Nos aspectos descritos anteriormente, não nos situamos dentro do problema, como gerador das circunstâncias que nos envolvem, salientando que há dificuldades que fazem parte do aprendizado, como lições novas, como também há as que se constituem em resgate e, nesse aspecto, todo o bem possível realizado por nós liberará ou atenuará o mal que cometemos.

Mas, ainda assim, o trânsito pela dor por nós considerada superlativa não é tão simples, tão fácil de transitar por ela, pois que algumas deixam marcas profundas no ser e que só o tempo diminui-las-á, transformando-as em pequenas cicatrizes.

Quando participamos da crença reencarnacionista espírita, mesmo que entendendo que essas espécies de dificuldades nas quais não encontramos referência na existência atual, fatalmente estarão vinculada a uma ou umas existências passadas próximas ou distantes, de nós para conosco tendemos a indagar-nos: o que terei feito para merecer isto por que estou passando?

Nos aspectos que envolvem a questão, consideramos que atuam sobre nós Leis Divinas, emanadas do Criador, portanto infinitamente sábias e justas, nas quais não há nenhuma forma de desajuste, de erro, e que se há algo errado, certamente estará em nós, seja por ações no presente ou no passado, remoto ou não, posto que a lei de causa e efeito também se cumpre na mesma existência do erro cometido, não necessitando sempre aguardar uma futura reencarnação para que se cumpra.

E nós, a despeito de todas as informações e de todas as reflexões, tendemos ainda a não bem administrar essas situações, esses quadros de dificuldades enfrentados por todos nós, os seres humanos encarnados e desencarnados que ainda transitamos na faixa de expiações e provas.

Como a Lei Divina guarda correlação estreita com a natureza íntima do Criador, certamente em tudo que pensarmos sobre o assunto de perfeição dela, o grau será infinito, portanto, não há como haver um agravamento das penas, impingindo dor maior, à maneira de que nós humanos reagimos em relação aos erros alheios, de pessoas conhecidas ou não nossas.

Podemos conjecturar que haverá sempre um abrandamento da lei, sem isenção de responsabilidade, mesmo porque as faltas acumuladas não são resgatadas de uma só vez, podendo cumprir-se em várias reencarnações.

E se imaginamos que, porventura, estivéssemos, na nossa imaginação, passando por situações, conquanto dificílimas, além do merecido e pudéssemos rever os quadros das faltas relativas às dores vivenciadas no presente, que geraram o resgate atual, sem que nos fosse permitida a nossa identificação como agente dos quadros que veríamos,  perceberíamos que, em nosso próprio julgamento pessoal e não o da Lei Divina, impingiríamos a nós mesmos possivelmente dores e sofrimentos maiores, da mesma maneira que nos comportamos quando nos detemos a examinar os erros alheios, desejando aos envolvidos sofrimentos atrozes que, certamente, não quereríamos a nós mesmos.

Do livro: Novas Reflexões.

 

 

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O QUE INTERESSA

 

Não me interessam:

O teu corpo

A cor dos teus olhos,

A tua renda,

O teu nome de família,

Os teus cargos, os teus títulos,

Ou outras considerações

Que a sociedade costuma julgar amiúde.

A mim o que mais me importa

É saber das tuas atitudes.

Do livro: Outros Versos

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NOSSO AMOR

 

É estranho,

Senão muito estranho,

A facilidade com que nós humanos

Dizemos: eu te amo.

Quando também dizemos:

Eu te engano.

Do livro: Mais Versos

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