AUTOCONHECIMENTO E INFLUÊNCIA ESPIRITUAL

                        O autoconhecimento, comumente entendido como a identificação de nossas deficiências evolutivas no campo moral, demanda outros aspectos que se desdobram em relação ao tema.

                        Com efeito, apenas constatar algumas deficiências que todos nós, Espíritos estagiários na Terceira Ordem da Escala Espírita temos, deficiências essas nas mais variadas categorias e intensidades, por si só, não é a resolução do problema e, muitas vezes, nem o início do trabalho na direção de começar a resolver essas questões, a depender da maneira como encaramos essa realidade em nós.

                        Com efeito, constatada algumas deficiências, que também podem manifestar-se  como problemas de ordem psicológica, podemos tender a negar que estejamos num ou noutro quadro, empreendendo uma fuga impossível de nós mesmos, buscando reprimir essa constatação, como também podemos vir a, por outro lado, macerar-nos a nós mesmos, com adjetivos e epítetos em que nos depreciamos com pensamentos pejorativos dirigidos a nós mesmos, procurando diminuir-nos, maltratarmo-nos, em lugar de, constatando essas questões, empreender o inventário delas e observar-lhes como estão em nosso acervo íntimo e como se manifestam em nosso dia a dia em todos os ambientes por onde trafegamos.

                        O trabalho do autoconhecimento requer de nós a autoaceitação, o autoperdão, a autocompreensão e mais outros ângulos do assunto, como também considerar o fator reencarnatório, ou a  reencarnação, pois trazemos essas questões que nos colocam em confronto conosco mesmos, em relação ao que temos sido e ao que pretendemos ser, entre o que está colocado por nós em nós e que queremos mudar em nós para melhor, e são quadros que temos alimentado ao longo das diversas experiências reencarnatórias que temos vivenciado e que se somam à atual.

                        Todo esse movimento de autoencontro com a autoaceitação não significa que venhamos a assumir uma posição de conivência para conosco mesmos, procurando justificar-nos e continuarmos como estamos, sem empreender algum movimento, mínimo que seja, de mudança em relação ao que foi constatado em nosso íntimo e que não está bem, pois que tal atitude seria, na verdade, uma postura de fuga do assunto, em lugar de encara-lo, analisa-lo e procurar-lhe uma solução, como também nem tampouco iremos autossatanizar-nos, com adjetivos muitos fortes e alimentarmos sentimentos de rejeição de nós para conosco, quando não outra espécie de sentimento mais forte de teor negativo.

Um outro dado que também devemos considerar é a  presença de Espíritos menos felizes ao nosso derredor em nosso dia-a-dia, alguns companheiros de erros, outros que tentam explorar os encarnados em seus desacertos, uma vez que tendências e gostos geram companhias espirituais próximas a nós, de qualquer natureza que sejam essas tendências e esses gostos.

Esses irmãos menos felizes influenciam a nós encarnados para uma direção menos equilibrada, por diversos motivos, e entre eles podemos citar a inveja, a vingança ou por pertencerem à cooperativas criminosas do mundo espiritual, esta última possibilidade podendo ser de modo concomitante às duas primeiras hipóteses aventadas, posto que os desencarnados voltados para a ação prejudicial consorciam-se no crime, à semelhança do que ocorre no nosso mundo dos encarnados, apenas guardando uma outra maneira de agir e o móvel no crime manifestado duma outra forma.

E esta situação ocorre a partir da exploração do que trazemos em nós, em termos de deficiências evolutivas morais, pois a partir delas é que podemos ser explorados, atingidos pela ação menos feliz, tanto de desencarnados quanto de encarnados.

                        Um outro aspecto que envolve o problema é de natureza psicológica e que se mistura aos demais, aos fatores reencarnatório e à influência espiritual, com o  ego e suas manifestações, a partir do egoísmo em si, a maior dificuldade que trazemos em nós e geradora de outras dificuldades, pois algumas das suas manifestações, do ego, trazem o cunho de desarmonia e são como empeços à evolução moral nossa, não obstante ele cumprir outros papéis úteis e importantes na nossa estrutura psicológica, além das máscaras que assume.

                        Isto porque, uma vez que constatemos em nós alguns aspectos menos agradáveis que todos os temos, podemos assumir uma postura reativa ou passiva, nesta última tenderemos à vitimização, à autopiedade muito grande, à culpa, à frustração, ao pessimismo; enquanto que na postura reativa tendemos a reagir com revolta, autopunição, crueldade, raiva e outros sentimentos menos equilibrados.

                        Essas reações tanto podem dar-se quando de experiências que vivenciamos na existência, quanto ao constatarmos que trazemos algumas deficiências, em lugar de assumirmos uma postura proativa, no sentido de reconhecermos como estamos, sem fugas ou outros mecanismos usados pelo ego, nas suas diversas máscaras, e procurarmos meios, caminhos para ir trabalhando a solução desses desafios, que nós mesmos temos gerado para nós.

                        E nessas manifestações de comportamentos também comparecem os desencarnados, sejam os que querem ajudar-nos, emular-nos ao avanço, ajudar a nossa evolução que se manifesta na autossuperação nossa, quanto os menos felizes que se comprazem em prejudicar e infelicitar, uma vez que eles mesmos infelicitados encontram-se e sentem-se, e estes últimos vão estimular-nos na postura passiva ou reativa, de maneira a que nos mantenhamos em desequilíbrio, sem alguma lucidez, constituindo-se em mais um fator de dificuldade, pois que tenderão a potencializar em nós esses estados que já trazemos em nós.

                        Daí porque compreendemos que o autoconhecimento depara-se com mais esta realidade, porque a partir de nós e para onde queremos dirigir-nos teremos companhias que buscarão ajudar-nos ou companhias que prezarão por manter-nos estacionados, quando não buscarão complicar-nos mais ainda o nosso dia a dia.

Publicado em Espiritismo | 1 Comentário

AS FACILIDADES

10 – AS FACILIDADES

… o cristão que aspira a

movimentar-se entre facilidades

terrestres, certamente ainda

não acordou para a verdade

EMMANUEL – PÃO NOSSO

Instalados no corpo de carne, tendemos ao sonho duma felicidade rósea, na qual o carro da vida siga seu percurso sem nenhum contratempo, nenhuma forma qualquer de desassossego.

Idealizamos uma vida distante da nossa realidade evolutiva, em que tudo nos sorria, ocasiões e pessoas, mas eis que a vida se nos mostra diversa do ideal romântico que abrigamos de maneira ingênua em nossa mente, nos sonhos que acalentamos.

Em diversas ocasiões, a criatura vai constatando que todos pagam o preço de conviver com a alternância entre dias ensolarados e outros nublados ou mesmo de chuva, que, por vezes, pode tornar-se torrencial, e que dia e noite alternam-se no calendário de todos os seres, diariamente.

Conquanto o planeta que nos abriga ainda não seja o recanto de felicidade das almas já redimidas que ainda não somos, ele propicia momentos de bem estar amplo, inclusive íntimo, que são momentos de verdadeiro repouso depois das refregas da luta existencial que todo o ser enfrenta.

As facilidades que, ingenuamente, sonhamos para nós, num ideal de bem aventurança estando encarnado e que não faz parte da realidade do planeta que nos abriga, por ora, não existem na Terra para nenhum ser encarnado, mesmo os Espíritos missionários que, estando livre da realidade de expiações, vêm até o cenário terrestre impulsionar o progresso das sociedades, nas suas mais variadas realidades, posto que também sofrem nas suas sensibilidades com o ambiente hostil para onde se voluntariam atuar.

De outro modo, nem tampouco, mesmo que reconhecendo a realidade dum planeta de provas e expiações, local onde o mal ainda conta com maior número, devemos evitar render-nos ao pessimismo crônico, porque, ainda que a paisagem que nos rodeia e mesmo a nossa paisagem íntima ainda não seja a ideal, a sonhada, tudo o que qualquer ser sonha como felicidade perene é construção diária nos dos planos da existência no corpo e fora dele.

Do Livro – Refletindo com Emmanuel

Publicado em Espiritismo | 1 Comentário

O BEM

9 – O BEM

O bem que praticares, em algum lugar,

é teu advogado em toda parte.

EMMANUEL – VINHA DE LUZ

As criaturas humanas, de qualquer condição moral, social ou intelectual, possuímos a capacidade de algum bem realizar.

Não é necessário que abundem os bens morais, materiais ou intelectuais para que os possamos distribuir a mancheias aos que, ocasionalmente, apresentem-se portando quadros de alguma carência, que todos podemos apresentar num dado instante da nossa existência.

Ainda quando não possuamos sobras materiais, não nos encontrando aptos a expor tesouros de intelectualidade pelo conhecimento profundo ou a palavra bem colocada, o discurso escorreito, a caridade moral é factível a qualquer criatura humana.

Mesmo portando a inibição de a alguém nos dirigirmos, o exercício de um pensamento positivo, de uma oração em silêncio são bens ocultos que se realizam, sem que a sociedade humana perceba a ação benéfica e silenciosa, ao mesmo tempo que o realizador da ação exercita a humildade da realização positiva sem buscar reconhecimento ou louvor.

Todos carecemos de algum bem realizar nalgum instante, a fim de romper, paulatinamente, as algemas do egoísmo a que nos temos atado até os dias que correm e alguns que ainda virão no calendário de nossas vidas, como também, nalguns momentos podemos necessitar de algum bem praticado de alguém para conosco.

Para nós, hoje, apresenta-se como uma necessidade de esforço constante neste exercício, até que se constitua, um dia, em ato natural e espontâneo, substituindo o nosso acervo de pensamentos e atitudes menos felizes, que se originam no egoísmo e nos filhos da mesma rama, vaidade, presunção, orgulho, inveja, ciúme e tantos outros quadros de sentimentos menos felizes que ainda carregamos em nosso imo, e com quem temos convivido larga faixa de tempo.

Ainda que, uma vez realizado, possa vir a constituir-se em defensor nosso nos tribunais dos acusadores gratuitos e ociosos, ele, o bem que realizarmos, é pequeno exercício de realizações maiores que virão com o tempo e o consequente amadurecimento moral nosso.

Do Livro – Refletindo com Emmanuel

Publicado em Espiritismo | 1 Comentário

VERDADEIRA UNIÃO

8 – VERDADEIRA UNIÃO

Se te sentes unido ao Cristo,

lembra-te de que o Senhor

a ninguém abandona, nem mesmo

os seres aparentemente venenosos do chão.

EMMANUEL – VINHA DE LUZ

Já diziam os antigos que “o homem é a medida de todas as coisas”.

Tendemos a categorizar as realidades de que vamos tomando conhecimento, a partir de nossa própria realidade que nos rodeia e que carregamos em nosso mundo íntimo, em todos os departamentos da existência, e a relação entre a criatura e o Criador, nem mesmo ela, por vezes, escapa a esta perspectiva.

Transportamos, desta forma, à visão de caráter religioso, as mesmas concepções de que nos valemos em sociedade, muitas das quais calcadas em convenções sociais humanas, portanto passageiras, mutáveis.

E passamos a imaginar a figura de Deus com comportamentos e valores semelhantes ao homem terreno, ainda imperfeito e limitado, nem sequer cristianizado ainda.

Passamos a conferir ao Criador característicos humanos, com sentimentos e reações próprias de nós, criaturas comuns, que ainda nos alternamos em nossos sentimentos, ações e reações diante da vida e de nossos semelhantes.

E assim, na nossa imaginação, criamos para nós um Deus semelhante a nós, invertendo a realidade de a criatura ter sido criada à imagem e semelhança do Criador, e não o contrário, e criamos Deus à nossa imagem e semelhança.

Nós temos esta capacidade de querer inverter a ordem da Criação.

Quando se trata, por vezes, de considerar a criatura humana em erro, seja a nós mesmos ou ao semelhante, podemos tender, nalgumas vezes, a lançar sentenças, quando não verbais, ou pelo menos mentais, de penas duras e irrevogáveis, em que, aquele errou, sejamos nós ou o semelhante, esteja num sofrimento e abandono intensos e impossíveis de serem remediados, findos nalgum instante.

Neste quadro mental que criamos para nós ou para os outros, o Criador teria abandonado a Sua criatura, dando-lhe as costas, esquecendo-a, o que ainda acontece entre nós humanos habitantes deste planeta de expiações e provas, Espíritos estagiários da Terceira Ordem da Escala Espírita.

É, ainda, uma tendência bem nossa, a de transformar Deus na criatura limitada que ainda somos, todavia o Criador do Universo não tem tais comportamentos e sentimentos, posto que Ele é, desde sempre, o que estamos agora descobrindo dos Seus atributos perfeitos e elevados ao grau infinito, e, como não abandona a nenhuma parte da Sua Criação, muito menos abandonaria ao homem, criado à Sua imagem e semelhança.

Tendemos a cogitar em nossos pensamentos e nas nossas palavras que os outros, mesmos os mais evoluídos que nós e até mesmo Criador esteja conosco, sem cogitarmos de com Eles estarmos, sendo sempre mais fácil, mas ao mesmo tempo enganoso, afirmarmos aos outros de quem supostamente estaríamos acompanhados, esquecendo de considerar se nós, em verdade, estamos acompanhando a quem dizemos acompanhar-nos.

Por vezes, preferimos a doce ilusão, iludindo-nos, em lugar da verdade que nos transforma gradativamente.

Do Livro: Refletindo com Emmanuel

Publicado em Espiritismo | Deixe um comentário

ENCONTRO DOLOROSO

7 – Encontro Doloroso

Quando estiverdes contristados,

em face de faltas que cometestes

impensadamente, é razoável sofrais

a passagem de nuvens pesadas

e negras que amontoastes sobre o coração.

EMMANUEL – VINHA DE LUZ

Nos instantes de resgate ou de rememoração dos atos impensados que todos ainda cometemos ou tenhamos cometido, o abatimento e tristeza podem surgir, por reação natural ainda presente em nós.

No entanto, cumpre examinar as questões que nos afligem a consciência sob o prisma da compreensão de nossas fragilidades morais, conquanto não devamos buscar alguma fuga do exame, tentando racionalizar a nossa conivência conosco mesmos, intentando, de um só golpe, justificar e esquecer os nossos erros, que merecem o nosso exame, a nossa análise.

Se mergulhados numa análise impiedosa conosco mesmo, tendemos a condenar-nos, em nosso mundo íntimo, a penas irremissíveis, julgando-nos, de todas as criaturas, a pior na Criação.

E transformamos as sombras da tristeza momentânea em cárcere de culpa e flagelação mental, impiedosos para conosco mesmos.

É natural o estado de tristeza consigo mesmo em toda a criatura que se descobre em falta, mesmo que passado o fato e adquirida uma percepção mais clara e profunda do dano causado que pode até mesmo não ter sido percebido até que se descubra um novo ângulo de visão do assunto em análise.

Todavia esta tristeza não deveria acompanhar-nos os passos, na forma de algemas mentais e psicológicas, atando-nos ao madeiro do automartírio mental, impondo-nos a paralisação de nossos passos na direção dos esforço das ações positivas, mesmo que direcionadas a terceiros, e não à pessoa a quem ferimos, dada a impossibilidade de alguma forma de aproximação que reconcilie o agressor e o agredido.

Passados os momentos de contrição e tristeza, que eles não nos acompanhem e que sigamos adiante, ainda que conscientes de haver causado um dano a alguém e aguardemos no tempo um possível reencontro, mas até lá, de nossa parte, liberemo-nos do peso inútil do martírio silencioso da culpa inoperante.

Do Livro: Refletindo com Emmanuel

Publicado em Espiritismo | Deixe um comentário

A FÉ

6 – A FÉ

O homem deve viver confiante,

sempre atento, todavia, em engradecer-se

na sabedoria e no amor

para a obra divina da perfeição.

EMMANUEL – VINHA DE LUZ

A fé é construção no solo do Espírito.

Sentimento e razão servem-lhe de adubo.

Enquanto o Espírito transita pelo estado de ignorância, tudo lhe parece confuso e obscuro, e os valores imperecíveis surgem-lhe às vistas como miragens distantes.

Mesmo quando tem notícia ou encontra os que caminham à sua frente na esteira da evolução intelecto-moral, imagina essas criaturas como privilegiadas da Criação, construindo a figura do Criador semelhante à do homem terreno, ainda limitado e falho nas suas concepções e atitudes, que teria preferências e, por consequência, privilegiados.

Numa clara inversão da ordem, queremos fazer Deus à nossa imagem e semelhança, em lugar de buscarmos tentar, de alguma forma, asselharmo-nos a Ele, daí as muitas confusões em que temos andado, até hoje, nesse mister.

Também, neste prisma, aparecem as contradições humanas diante da vida e da fé religiosa, perdendo-nos num labirinto entre a crença e a descrença no Criador.

Desta maneira, a criatura humana ora confia, ora não confia em Deus, abalando-se ante às situações que a incomodam, em maior ou menor intensidade.

Não se propugna aqui pela atitude de uma estátua perante a dor, pois que esta abala as fibras de qualquer criatura que sente e pensa, mesmo as que já granjearam títulos de enobrecimento moral e que caminham à nossa frente, liberadas de todo e qualquer débito com a Lei Divina.

A fé é uma construção do Espírito e, até que se torne inabalável, que não paralise as mãos e os braços humanos quando a dor lhe visitar o coração, será testada para que, passo a passo, solidifique-se no imo da criatura humana, até que o homem, ainda que abatido e sofrido, alegre ou triste, vivamos confiantes e operosos nas tarefas que a vida confiar-nos, no corpo ou fora dele.

Do Livro: Refletindo com Emmanuel

Publicado em Espiritismo | 1 Comentário

QUEM VENCERÁ

5 – Quem Vencerá

O espírito mais ensombrado

no sepulcro do mal

e o coração mais duro são arrancados

das trevas psíquicas para a luz da vida eterna.

EMMANUEL – VINHA DE LUZ

Com muito acerto, a Doutrina Espírita propugna que o homem na Terra, antes de ser mau, o que não é em verdade, permanece, temporariamente, num estado de ignorância quanto à presença do bem e do mal, no mundo e nele.

Trazemos em nós os potenciais para o bem permanente, oriundos da própria origem Divina, no entanto, precisaremos caminhar nesta direção, num trabalho diuturno de mudança íntima pessoal, dia após dia, no corpo e fora dele.

O egoísmo que nos quer dominar é um transe da evolução, em que ainda permanecemos olhando para o mundo através da nossa ótica exclusiva e desconsideramos, por vezes, os que nos cercam, suas necessidades, problemas e demais aspectos que, tanto quanto eles, também trazemos estes aspectos em nós.

Tendemos a considerar, em regra, em primeiro lugar, em todas as circunstâncias que dizem respeito ao que nos toca e conflitamos com o próximo, conflitados que nos encontramos dentro de nós mesmos cada um de nós.

A criatura humana, neste panorama, podemos vir a agravar mais ainda as situações-desafios da evolução, adentrando em ações cada vez mais prejudiciais a nós mesmos e aos que a cercam.

Assim nasce o que convencionamos chamar de espírito do mal, o ser aparentemente dotado de poder para igualar-se ao Criador, num outro polo da realidade, contrário ao bem, mas que neste pequeno mundo que habitamos do sistema solar da Via Láctea, não passa de um ser mais equivocado quanto ao bem e ainda muito ignorante das realidades da vida, na Terra e fora dela.

Gozará ele de liberdade relativa, um certo tempo, quanto às suas ações menos felizes, mas para ele um dia também soará o término de sua atividade, cansado e entediado do mal que nunca lhe satisfez, mas que, num dado momento, cansa-se dele, pois que a sua essência é a mesma da dos seres mais puros e perfeitos.

Do Livro: Refletindo com Emmanuel

Publicado em Espiritismo | 2 Comentários

O DEVEDOR

4 – O Devedor

Quanto maior a compreensão

de um homem, mais alto é o

débito dele para com a Humanidade…

EMMANUEL – VINHA DE LUZ

A organização das estruturas humanas, com as suas demandas, são mutáveis, como também mutável é o Espírito humano que ainda almeja galgar patamares mais elevados da evolução intelecto-moral, em especial nós que ainda permanecemos vinculados ao plano de expiações e provas, os Espíritos da Terceira Ordem da Escala Espírita, cristãos não cristianizados.

Somente o Criador guarda o atributo da imutabilidade.

O homem, na Terra, estabeleceu que, quanto maior a sua importância, maior o seu poder de mando, tanto mais lhe cercam pessoas que o sirvam com presteza, quando não lhes cobra subserviência e adoração, explorando, por vezes, nelas o temor, por via de ameaça, mesmo que silenciosa, da perda de prestígio e de posição perante o detentor temporário do poder transitório e fugaz.

Em muitas ocasiões, as situações estabelecidas  requerem que o detentor de maior responsabilidade cerque-se de auxiliares no instituto da colaboração humana, no entanto, a ilusão da subida vertiginosa, por vezes, tende a criar na criatura humana um distanciamento íntimo e que extravasa para o meio em que convive na sua realidade humana frágil e limitada, inclusive pelos fenômenos da vida orgânica, e os reveses a que todos nos sujeitamos num mundo de expiações e provas, para onde nós trazemos compromissos com a Lei Divina de resgate e reajuste perante ela.

Esta ilusão podemos, por vezes, criar para nós mesmos, em qualquer escala de importância nas estruturas humanas, além da falsa ilusão da falsa superioridade diante dos que nos partilham a jornada terrena.

Favorecido com circunstâncias que dão ascensão a essas posições transitórias criadas pelos homens, na organização da vida e das atividades da vida material, esquece-se a criatura humana de que, em verdade, longe de julgar-se credor de todas as atenções e favores dos que o cercam, como costuma ver-se na sua ótica equivocada, as ações que desenvolvem representam, perante o Criador, um débito dele para com os seus semelhantes, porque, tanto quanto maior as mais variadas responsabilidades que se lhe enfaixam nas mãos, tanto maior o dever de colaborar com o seu próximo.

E tanto maior é o seu débito com a Humanidade, em termos de compromisso que possui para com ela, devendo envidar esforços de procurar a todos servir sem deles se servir, porque para além do que imagina, como sendo fruto apenas de seu esforço pessoal a posição conquistada, nela necessita de diversos outros colaboradores, seus subordinados, bem como os mecanismos da Leis Divina permitiram-no chegar onde chegou se não usou de artifícios menos felizes para suas conquistas, o que representa um fardo mais a carregar no resgate das infringências cometidas.

Ainda não alcançamos, plenamente, a consciência destas verdades, mas mesmo que, paulatinamente, vamos tendo informações delas, na medida em que reflexionamos sobre elas, vamos mudando, aos poucos, o nosso pensar e o nosso agir.

Do livro: Refletindo com Emmanuel

Publicado em Espiritismo | Deixe um comentário

COLABORAÇÃO

3 – Colaboração

É indiscutível que Jesus pode tudo,

mas, para fazer tudo, não prescinde

da colaboração do homem

que lhe procura as determinações.

EMMANUEL – VINHA DE LUZ

As Leis Divinas estabeleceram a colaboração das criaturas nos dois planos da vida e mesmo entre eles.

O ser humano encarnado, tanto quanto o desencarnado, colaboram entre si, na busca de seus objetivos, sejam quais forem o móvel por trás deles.

À medida que evolui moralmente, que vai se assenhorando de maior consciência do mundo que o rodeia e compreende o próximo para além do prisma do egoísmo que acompanha as criaturas que estagiamos na Terceira Ordem da Escala Espírita, rompe, aos poucos as cascas egoístas, a dura penas, exercitando sentimentos nobres e elevados para com os demais, mesmo que discretamente.

As virtudes carecem de propaganda, tanto quanto de aplauso do mundo, posto que pensar e agir de outra forma é a exaltação à vaidade e ao orgulho, oriundos do egoísmo que ainda temos em nós, posto que intentaríamos o crescimento em função de que os outros nos reconheçam, acariciem os nossos egos, comportamento este ainda infantile, mesmo que tendamos para ele, não obstante a cronologia do número de anos que já tenhamos vivido.

O bem, que se origina do Criador, manifesta-se, entre as criaturas, a partir delas mesmas, entre elas.

Todo ser humano, independente de condição de qualquer espécie, material, espiritual, intelecto-moral, é capaz de algum bem realizar, que pode manifestar-se mesmo num pensamento positivo ou numa prece silenciosa dirigida ao semelhante.

Jesus, como Emissário maior de Deus perante as criaturas que habitamos o planeta Terra, não prescinde da colaboração de todos, desde os seres mais puros e elevados que privam do convívio constante com ele, até nós, que ainda titubeamos entre o bem que desejamos fazer e o mal que nos acompanha de mais perto ou mesmo ainda guardamos em nosso íntimo.

Do livro: Refletindo com Emmanuel

Publicado em Espiritismo | 2 Comentários

A VISITA

2 – A VISITA

Quando o aprendiz da Boa Nova

receber a visita de Jesus

e dos emissários divinos, no plano interno,

então a discórdia e o sectarismo

terão desaparecido do continente sublime da fé.

EMMANUEL – VINHA DE LUZ

As convenções humanas, conquanto respeitáveis, ainda assim, muitas delas não servem ao plano sensível da evolução do Espírito imortal.

Devemos respeito e acatamento a todas, uma vez instalados na realidade da experiência de estarmos presentes no plano físico trajando a indumentária de carne.

Nunca será propósito das Leis Divinas instalar a rebeldia, a indisciplina, desorganizando as estruturas da vida social humana.

O Criador permite às Suas criaturas as experiências na matéria, para que adquiramos discernimento através da aquisição de conhecimento e da capacidade de análise, para que aprendamos a discernir, buscando o que é verdadeiramente essencial e útil ao Espírito imortal que somos.

Temos tido, por base de raciocínio equivocado, a busca de parâmetros das nossas realidades da vida material, intentando, a partir da nossa vivência limitada na vida carnal, estabelecer essas realidades como sendo o molde das que se situam fora do mundo corpóreo, numa clara inversão da ordem, pois que temos tentando estabelecer, a partir desta ótica, o mundo material como primário, e o espiritual um aspecto secundário das duas realidades.

O homem é a medida de todas as coisas, já se pregava na Grécia Antiga.

Tendemos para, a partir de nós, uma vez instalados no corpo de carne, querer explicar as realidades que estão para além das do mundo da matéria, e querer definir essas realidades pelo modo como nos organizamos entre nós, na vida ordinária.

Não conseguimos, por vezes, entender o significado mais essencial dessas verdades e passamos, desta maneira, a imaginar a manifestação das Leis Divinas como ocorrências semelhantes às práticas de encarnados da Terceira Ordem da Escala Espírita dum mundo de Expiações e Provas.

Assim a visita de Jesus e dos emissários divinos no plano interno é a longa jornada nossa por transformarmo-nos, superando o egoísmo, diminuindo-lhe a ascensão dele sobre nós, gradativamente, até que um dia esteja completamente superado, não estando mais presente em nosso mundo interior.

Quando houvermos alcançado esta realidade no panorama evolutivo, e ela virá sempre de maneira gradual e lenta, pois a evolução não se dá de forma violenta e abrupta, como alguns de nós ainda queremos crer, os problemas íntimos que ainda nos afligem não existirão mais para nós, pois que teremos alcançado um estado de bem aventurança constante.

Neste quadro de realidade, a visita de Jesus e dos seus emissários divinos, em nosso plano interno, não será mais visita, terão morada em nós, e nós, por outro lado, estaremos sintonizados ao bem, de maneira permanente e ininterrupta.

Mas, até lá, é uma longa marcha nesta direção, em meio à realidade que ainda trazemos dentro de nós hoje e que a nós mesmos cabe mudar.

Do livro: Refletindo com Emmanuel

Publicado em Espiritismo | 2 Comentários